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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Celebre a Vida



Talvez seja a ausência de viver que nos faz sentir a melancolia da vida além túmulo,
Que falta faz um bocado de carinho e um coração farto de esperanças!
Nem necessária seja a presença física de quem se ama para conter tanto pranto,
Basta apenas um pensamento de carinho, de amizade para poder evitar uma tragédia.

A vida por si mesma é cheia de tristezas, dissabores e amargas experiências,
Felizes foram aqueles que souberam amar e foram também amados,
Pois o amor purifica a alma e cura todas as feridas do coração,
Sem amor, somos apenas um nada no infinito, com amor, somos a plenitude do Universo!

Então, ame, namore, escreva um poema, mande cartas e escreva saudades,
Não espere o espetáculo da vida terminar para aplaudir o artista que é você!
Esteja sempre pronto a surpreender e ser surpreendido também.

Assim, mesmo sem querer, poderás escrever uma das melhores páginas,
E teu amor, um dia servirá de inspiração para os apaixonados,
E tua vida não terá sido em vão, pois teu amor fecundou outros corações!

Eu ... (Escrito por inspiração)

Claudio Louzeiro
Belém, 03/11/11

O Ser e a Mudança



Fazia tempo que não escrevia, ficaram na memória muitas idéias, pensamentos e reflexões, o tempo escasso, os compromissos e a rotina haviam me retirado a concentração necessária para escrever, talvez a inspiração tão habitual, tão presente na minha vida, havia dado um tempo para talvez renovar-se e me trazer algo novo...

Estava assim, sem pensar, que de repente me veio à inspiração para escrever novamente, pois durante muito tempo eu acreditei que somente através do conhecimento conseguiria atingir a libertação de mim mesmo, na mesma proporção que passava a ter conhecimento sobre o bem e sobre o mal, o mistério da vida se desfaria diante dos meus olhos e num instante quântico, eu despertaria!

Mas, uma dúvida me veio o que viria após? O que me tornaria? Uma vez que abandonaria as regras do jogo que conheço e quais regras novas eu acolheria na minha vida, aliás, que vida nova seria essa?

Sempre senti a necessidade de viver sozinho, de me aventurar pelo mundo para descobrir, ou melhor, reviver seus encantos, sentiria o sabor da vida com novo paladar e aprenderia a amar de uma forma jamais vista.

Com a libertação ou despertar de mim mesmo, descobriria que o passado já não faria mais sentido e tudo aquilo que combati um dia morreria para sempre dentro de mim, teria rejeitado o EGO para buscar despertar o SELF, porém, acabei por descobrir que um não vive sem o outro e que todas as minhas aventuras me trouxeram onde estou justamente por ter sabido conviver com tudo aquilo que sempre busquei combater... Eu estava errado! Não apenas eu, mas, todos que assim pensaram e ensinaram também.

Hoje, mais experiente do que ontem, descobri que posso ter essas mesmas experiências ao lado das pessoas, pois em profundidade, não há o isolamento, pois ninguém está sozinho, ninguém vive só e a divisão de tarefas a soma dos esforços promovem o crescimento, amplia os horizontes e nos levam para além de nós mesmos.

Rejeitar o que você se tornou seria aniquilar para sempre parte de você mesmo e esta parte sem dúvida alguma, é você mesmo com seus encantos e desencantos, sabores e dissabores a vida não faria sentindo algum, pois, o final da jornada é ilusória o que conta mesmo é o longo percurso que a ela nos leva.

E todas as alegrias, tristezas, dores, sofrimentos, são cicatrizes que nos marcam a alma profundamente, que nos apontam caminhos já percorridos e que o mal nada mais é do que ignorar ou rejeitar tudo aquilo que um dia desconhecemos e que trouxe de alguma forma, prejuízo para nós mesmos ou para os demais.

Sair do mundo não nos leva a lugar algum tudo está em tudo, aceitar a vida, é caminhar ao seu lado sem resistência e com o propósito definido, para se atingir o objetivo final é preciso mais do que coragem ou fé, é preciso está possuído de um ardente desejo de conquista, de conhecer o desconhecido e adaptá-lo ao meio em que vivemos para transformar o mundo.

Somente liberto é aquele que vivendo no mundo, não o rejeita, o acolhe, aceita e o adapta a si mesmo, pois todos querem ser felizes, esquecem que a felicidade está inserida nas próprias escolhas que fazemos e este detalhe faz toda a diferença na hora de gozar as alegrias ou sentir os dissabores dessas mesmas escolhas.

Hoje percebo com mais nitidez que ninguém ainda veio nos dizer como é o Insondável, o Desconhecido, e que todas as experiências já vividas, somente individuais foram, não podem ser transmitidas por sentimentos ou imagens, apenas por frações de idéias, fragmentos de pensamentos.

É comum encontramos pessoas vazias, tentando preencher esses vácuos internos através de uma vida fútil e sem sentido, como se numa grande competição estivessem, a luta pelas posses, pelo poder, status ou fama, é demonstração clara e precisa desse vazio interno, o ser humano não se mede por suas posses ou títulos, porém, com a sua nobreza de caráter, sua postura diante da vida e seus desafios, nobre é o homem que mesmo sem está inserido nestes contextos que dividem as classes humanas, conseguem movimentar o mundo para melhor, torna o mundo mais agradável com a sua presença e suas coes promovem mudanças profundas nos corações daqueles que com ele convivem, estes são um catalisador de energias saudáveis que beneficia a todos, homens assim, são raros, pois estão estabelecidos numa faixa de pensamento quase que inatingível pelas massas, pois, estas flutuam as suas ações e pensamentos dentro do grande círculo de vícios e fraquezas que desfrutam, pois é bacana ser o cara, o mais esperto, o mais astuto, quando na verdade o vazio que experimentam quase sempre os consomem por dentro e quase sempre as depressões seguidas pelo excesso de uso de medicamentos contra a mesma os levam ao mundo de Morfeu...

Então, rejeitar o EGO para acolher o SELF é aniquilar a si mesmo é rejeitar o lado SOMBRA para apenas acolher a LUZ, um não vive sem o outro a personalidade não vive sem a essência e a essência, aquilo que tu é, não vive sem o mundo, sem o que tivestes que construir.


Claudio Louzeiro
Belém, PA
06/10/2011


Quando a tristeza nos visita o coração, ela trás dor e sofrimento. Pois, independentemente de quem quer que sejamos na sociedade em que vivemos, não estamos imune aos seus efeitos.

Esta tristeza quando acompanhada de perda é mais devastadora, pois nos leva o nosso motivo de afeição, nos arranca do peito como raiz de árvore do solo, o nosso bem querer e esta dor demora muito para passar e as cicatrizes quase nunca são esquecidas, quer dizer, não são mesmas!!!

Mas, o melhor remédio para curar estas dores da alma, continua sendo a constante união entre os seres, o vínculo com a família e o estreitamento dos laços de amizades. Bem como fazer novas amizades e conhecer novos lugares! Se permitir!

Pois a vida, é muito curta para ser desperdiçada, precisamos de mais afeto, mais união e menos brigas e lutas sem sentido. O homem está cansado de tantas guerras, de tanta falta de amor. Ele quer libertar-se, que romper os grilhões da dor e do sofrimento que são apanágios da ignorância!

O homem nasceu para ser livre, porém, encontra-se mais aprisionado do que imagina, mais dependente do que pensa, pois, escolhe sempre o caminho mais fácil e por ser fácil é quase certa a sua ruína no futuro.

Está triste de vez em quando é bom, nos trás para dentro de nós mesmos para realizarmos uma auto analise e renovarmos certas atitudes, passa a ser doentia, quando essa tristeza e até mesmo a solidão, dura mais do que deveria, o sinal de alerta é acionado e algo começa a mudar dentro de nós.

Não devemos ceder aos impulsos desesperados que irrompem das profundezas da alma neste momento, devemos nos ater ao equilíbrio para não perdermos a própria alma.

A libertação somente se dará pelo amor, não falo deste amor que ordinariamente se comenta, mas, do amor puro, da sua prática, pois o amor é a divina presença do Todo em nós, da harmonização plena de todas as funções do Ser, o seu perfeito equilíbrio entre o EGO e o SELF, pois ambos refletem mesmo que por ângulos contrários, a dupla face de uma mesma realidade que somos nós mesmos, pois em essência, somos UM.

A dor, o sofrimento, as alegrias e tristezas são sensações que o Ser experimenta pelos campos da vida material, uma vez que a ignorância cessa, o mesmo não se torna indiferente ao amor ou ao ódio, mas, harmonizado e pleno de si mesmo, torna-se pela profilática do AMOR!

E realiza tanto os céus e aterra em si mesmo, pois o AMOR é culminância da existência, e amar é o destino final de todos os seres, o Universo vibra pelas leis infinitas do Amor, da Justiça e da Solidariedade!

Claudio Louzeiro

Belém, 08 de Outubro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Perdão



Perdoar vem do latim tardio ‘perdonare’, que é usado ainda hoje em italiano.

Perdonare é composto por "per" + 'donare'. Significa dar por completo. "donare"=doar=dar.

Segundo uma lenda antiga, quando os soldados romanos queriam invadir os povos vizinhos, buscando dominá-los, era prática entre eles, passarem por horas e horas treinando os seus soldados no manuseio do arco e flecha.

Quando um soldado errava o alvo, o instrutor se aproximava e dizia:

- É pecatus! É pecatus! Necessita perdonare!!!

Ou seja, é um erro, é preciso treinar mais, se doar mais, para poder atingir o objetivo.

Quem perdoa, treina o coração com as melhores atitudes, busca esquecer o mal recebido e vai além, muito além.

Pois transforma a afronta em oportunidade de estudar mais a si mesmo, buscando compreender quais foram os motivos para ser destratado dessa maneira, nem sempre, a falta de respeito das pessoas em relação a nós, significa que ela nos odeia, que nos quer ver mal, ela pode está passando por uma grave crise existencial e naquele momento, você acabou sendo o alvo das suas perturbações internas, foi exteriorizado para você, todas as suas angústias e dores da alma.

Vou contar um exemplo pessoal, certo dia, quando eu morava no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de São Gonçalo, tinha que trabalhar no bairro de Icaraí em Niterói.

Quando eu saia do trabalho sempre passava ao lado de um banco, na escadaria do mesmo sempre havia uma senhora moradora de rua nas escadaria do banco, um dia, eu havia comprado 3 pães para levar para casa e ao vê-la eu pensei comigo mesmo: - "Bem que eu poderia dar um desses pães para ela".

E assim, o fiz. Quando me aproximei e lhe ofereci o pão com todo carinho e boa vontade, fiquei surpreendido quando ela me olhou nos olhos e disse: - "Quem foi que disse que estou com fome?"

Nesse momento, fiquei profundamente sem jeito, se houvesse um buraco ali, naquele local eu certamente teria enfiado a minha cabeça lá.

Fui embora com a sensação que todos estavam rindo de mim, apesar de ter a certeza que ninguém havia passado por lá naquele momento.

quando cheguei em casa, não parava de pensar sobre o que tinha acontecido, foi quando alguém sussurrou nos meus ouvidos e disse:

- "Claudio, ela não quis te magoar, apenas naquele momento precisa de algo a mais do que uma simples comida, você, não perguntou o que ela realmente precisava naquele momento, você jugou por usa aparência, o que ela deveria está precisando, numa palavra, você somente ouviu o que estava pensando sobre ela e não o que ela realmente poderia querer receber, como disse Jesus, nem só de pão vive o homem..."

Foi aí que percebi que eu estava errado e que não observei esse tão importante detalhe e pré-julguei a senhora.

Caso eu não houvesse refletido sobre o que havia ocorrido, certamente a mágoa, a revolta, o ódio poderiam invadir o meu coração por causa da maneira como as coisas aconteceram.

Portanto, é preciso compreender o porque das pessoas agirem diferente em relação as nossas expectativas, nem sempre, seremos reconhecidos nas nossas atitudes, isso não quer dizer que as pessoas não gostem, ou não precisam de nós, é que podem está vivendo num momento difícil e precisam serem respeitadas e compreendidas.

Quando choramos pela ingratidão dos nossos é porque nos doamos cheios de egoísmos e falsas recompensas...

Cada ser humano, somente pode dar o que a sua natureza naquele momento tende a oferecer, assim, é o amor, nem sempre receberemos o mesmo amor que doamos, as pessoas vivem nos seus momentos e não é pelo simples fato delas não nos amarem como as amamos é que não nos ame, pelo contrário, elas estão nos oferecendo o seu melhor, mesmo que não esteja na mesma intensidade que o nosso amor, mas, estão dando o seu melhor e isso precisa ser valorizado, sempre!!!

Claudio Louzeiro
17/11/11

AMAR E SER FELIZ



"Amor é quando você tem todos os motivos para desistir de alguém, e não desiste."

William Shakespeare

O grande pensador francês Blaise Pascal, disse certa vez:

“O coração tem razões que a razão desconhece.”

Penso que tanto Shakespeare como Pascal, tentaram falar a mesma coisa, em suas frases citadas acima.

O amor, geralmente é mal interpretado pelas pessoas, confundem paixão, desejo, carência afetiva e apego com o amor.

Quando se ama, a postura em relação ao objeto desse amor é totalmente diferente, o desejo de está próximo, de cuidar, de se preocupar e tentar auxiliar o outro é característica marcante nas ações de quem ama.

Enfrenta todos os desafios, não desiste nunca da pessoa amada, suportando todas as dificuldades.

O ciúme, tempero que usado na porção certa, pode dá um sabor a mais na relação, o excesso pelo contrário pode destruir qualquer relacionamento.

Shakespeare, falando sobre todos os motivos que poderia nos fazer desistir de alguém que amamos e mesmo assim não conseguimos. Com certeza estava se referindo a sua mais famosa história de amor, Romeu e Julieta.

Tudo conspirava para que ambos não terminassem juntos, mesmo assim, lutaram pelo amor, até o limite.

Desde sempre, os obstáculos do amor estão presentes nos relacionamentos, é impossível conviver com alguém e não ter que passar por determinadas provas nesse relacionamento.

A opinião da família, dos amigos, parentes, colegas, da própria sociedade em si, é muito pesada na hora de tomar decisões que envolvem o coração.

Todos que convivem conosco se acham no direito de opinar, de saber nos dizer o que é melhor para nós, quem deve ser o nosso par perfeito, quem combina conosco... Não existe nada mais falso do que esta visão do “combinar”..... As coisas do coração não podem ser comparadas com a melhor roupa, penteado ou jóia que usamos....

Quando duas almas se amam, conseguem criar uma relação saudável, equilibrada e com respeito. Não há o vício dos maus tratos, da falta de cordialidade que existe na maioria das relações, pois escolhas feitas sem meditação e com segundas intenções, somente produzem dor e sofrimento para quem assim deseja viver.

O amor, não tem regras, pelo contrário, ele quebra todas as regras, viola todas as normas de condutas e vai para além das próprias limitações da sociedade.

Quase sempre nos aconselhamos sobre as questões do amor com pessoas frustradas que não são felizes e buscam destruir a nossa felicidade, deveríamos buscar o conselho sobre a vida a dois com pessoas que são felizes em suas vidas amorosas, pessoas mais vividas que apesar de todos os desafios que a vida lhes impôs, conseguiram seguir juntos, vivendo o amor.

Em matéria de amor, somente a opinião de quem sabe amar e vive o amor é importante, quem desconhece não poderá opinar e muito pelo contrário, ela pode destruir o seu relacionamento!

Amar segundo Shakespeare é ter a capacidade de se encantar com a mesma pessoa todos os dias, de gostar de está junto, de conversar e contar com essa amizade a qualquer momento, mesmo que a insegurança e outros desejos possam criar conflitos dentro de si, o amor é sempre mais forte no final, ele sempre vence, pois, tudo pode, tudo suporta e sabe esperar.

No pensamento de Pascal, ele fala sobre o conflito entre a razão e o coração, qual atitude tomar?

Qual conselho ouvir, o que diz a minha mente ou o que diz o meu coração?

É por isso, que o coração tem suas próprias razões, obedece a seus próprios padrões e quase sempre causa surpresa na razão, quando toma suas decisões.

Pessoas excessivamente racionais possuem grandes dificuldades para entenderem as coisas do coração, pois, perdem um tempo enorme calculando suas ações, medindo conseqüências, prós e contras, vai dá certo ou vai dá errado, o que as pessoas do meu meio social vão pensar, etc.

Por isso Osho vai dizer:

“Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar, apesar de todas as conseqüências!”

Na dúvida siga o coração, ele sempre sabe o que é melhor para nós, o grande problema nas escolhas é confundir desejos com o amor e neste caso, nunca há a voz do coração, somente a da carne, por isso, há muita revolta contra o coração.

Outro pensamento muito interessante é o do Dalai Lama, que diz:

“Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.”

Amar não é fácil, o amor trás sofrimento, um não existe sem o outro, mas, o amor é sempre mais forte, pois o amor é divino. Não é fácil abrir mão de quem se ama, é dolorosa a ausência de quem queremos sempre ao nosso lado.

É preciso dá espaço para outro, convivência de mais, acaba por sufocar quem amamos, porém, não devemos nos afastar muito, usar a medida certa, ser cauteloso para não deixar murchar a relação.

Uma relação saudável somente é possível quando há segurança e respeito entre o casal. Pois tudo o que se faz por amor, está sempre além do bem e do mal, finalizando com Nietzsche.

Claudio Louzeiro
18/11/11

domingo, 23 de outubro de 2011

Sidarta e Dhara




A FLOR DE LÓTUS

Era certo que alguém escreveria a história de amor entre o jovem brâmane Sidarta e a bela jovem Dhara, apenas ignorava o fato que a mim caberia essa honrosa missão, mas, é bom lembrar que venho a dias sentindo uma aproximação extra física ao meu lado que se deixava notar como um indiano, mais parecido com um iogue, com longos cabelos pretos e levemente ondulados nas pontas, vestindo um longo manto branco a maneira dos antigos arianos, de irradiante expressão facial, porém, de aparência séria, de vez em quando me deixa perceber um leve sorriso para quebrar qualquer tipo de situação constrangedora entre nós, sua expressão em nada nos leva a comparar a de um ocidental, apesar de certa postura de superioridade, aparentando ter um pouco mais de 40 anos, sua jovialidade é marca da sua expressão.

Não posso afirmar que seja a própria personagem principal da história que segue, mas, trata-se sem dúvida alguma de um mensageiro que trás ansioso uma mensagem e nós mero instrumento, apenas transmitiremos a mesma de acordo com os nossos próprios recursos para poder sermos o máximo possível fiel a bela e profunda história a nós foi confiada.

Sua presença modifica o meu ambiente e me faz sentir a leve e doce melodia da natureza que a todo momento nos convida a refletir sobre os reais valores da vida e o quê realmente importa e tem valor para nós mesmos nesta curta e por vezes tão penosa e longa jornada em que nos encontramos.

Esta noite, o sono me fugiu e uma necessidade muito grande de escrever esta história ganhou força dentro de mim, mesmo com certa dor no meu braço direito que já dura mais de um mês, levantei da cama e comecei a escrever esta história que está sendo repassada para mim através da inspiração.

PROLOGO

Ambos eram filhos de nobres senhores da velha Índia, numa época em que os grandes deuses Brahma, Shiva e Vishnu, estavam mais presente na vida dos filhos das estrelas, os brâmanes.

O mundo já havia presenciado a grande batalha de Kuruksetra, entre os filhos de Pandu e os Kurus., que legitimava o direito da justiça sobre a injustiça na terra e que o próprio divino guia do povo indiano, esteve pessoalmente entre nós, o Senhor Krishna .

A velha e mística Índia, um dos berços da civilização ariana, recebeu no princípio desta yuga (Era), um casal das estrelas que da brilhante Sírius veio resgatar suas faltas em meio a estas paragens a aproximadamente uns 35 000 a.C., quando aqui chegaram, e aproximadamente uns 2700 a.C, o casal de antigos mandatários do Baixo Egito, retornam ao palco terrestre para ajustar compromissos sociais e pessoais, só que desta vez em solo sagrado ariano.

PARTE I

Enfim, chegara a Primavera e com ela, a suavidade da natureza que acariciava o tapete formoso por onde pés desavisados ignoravam o solo sagrado pelos sábios da pacata cidade de Jacasta, a estação é bela, com o seu atavio de folhas novas, de flores majestosas e de erva verde, ao longe os gritos dos lavradores agradecendo pela oportunidade de arar em solo sagrado, os bois percorriam jubilosos os férteis prados, alongando seus pescoços robustos sob o jugo opressor.

A terra fecunda brotava e enrolava em largas ondas atrás do arado e o lavrador apoiava os dois pés na relha para cavar um sulcro mais profundo. Entre as palmeiras, borbulhantes arroios murmuravam e a terra alegre bordava suas margens de balsaminas e melissas de folhas barbadas.

Por outro lado, havia semeadores que iam lançando a semente; toda a mata ria, com as canções que partiam dos ninhos e todas as brenhas sussurravam com a vida dos seres minúsculos: da abelha, do besouro e todos os animais que se arrastam, porque todos estavam alegres com a primavera.

Nos ramos das gigantes mangueiras brincavam os colibris; só, em sua forja verde, o beija-flor trabalhava ruidosamente; os abelheiros de bico curvo perseguiam as borboletas multicores; além, os esquilos raiados caçavam; as mainas, emproando-se, saltavam; e as sete irmãs morenas chiavam nos sarçais; o gato montês mosqueado, comedor de peixes, estava à espreita à beira da lagoa; as pequenas garças caminhavam pacificamente entre os búfalos; os milhanos davam voltas pelo ar dourado; perto do templo, de brilhantes cores voavam os pavões; as pombas arrulhavam nos muros; a distância, ressoavam os tambores da cidade para uma festa nupcial, em tudo ressoava paz e abundância.

Sob uma frondosa árvore aromada, no imenso jardim da sua cidade, meditava Sidarta sombriamente com sua cabeça inclinada para a terra, sobre acontecimentos da sua vida, havia perdido sua mãe ainda jovem, aos 12 anos seu pai casara novamente e desta união mais dois irmãos ele havia ganhado, quando completou seus 16 anos seu pai havia lhe conseguido uma bela pretendente por causa do acordo entre ele e o futuro sogro de Sidarta, o jovem não queria casar, sentia seu coração chorar toda vez que seu pai tocava no assunto, porém, de acordo com a tradição dos seus pais, o casório era inevitável e sua pretendente por outro lado a jovem Maya, fazia planos, pois sabia das qualidades do jovem com quem dividiria os seus dias.

Com o tempo aprendera a se conformar, quando num certo dia, meses antes do seu casamento, após uma caminhada no bosque da deusa Kali, conheceu o seu verdadeiro amor, Dhara.

De beleza ímpar, de graúdos olhos castanhos e longos cabelos bem tratados com ervas e essências, era o sol em pessoa, com suave pele que mais parecia uma deusa de rara beleza e maciês, lembrando a consistência granulada dos pêssegos maduros e o licor da manga... Seu sorriso, era um convite ao amor incondicional, e um profundo querer perder-se por dentro dos seus desejos ainda em repouso, por causa da espera que o seu amor os despertassem no momento certo.

Ricamente vestida, à maneira, das meninas de casta elevada, tinha seu corpo ricamente ardonado por dourados braceletes, brincos e anéis incrustados de pedras preciosas, como jade e esmeraldas combinando com seu vestido, bordado com tonalidades lápis lazulis.

Ela sorriu, quando o encontrou e ambos os corações se reconheceram de imediato, porém, a bela jovem assim como Sidarta, também estava comprometida com próspero mercador da sua rua, era inevitável o casamento e assim sucedeu, meses depois, ambos casaram, ele com Maya e ela com Arjuna.

Porém, o amor, tem a sua própria história e o coração guarda consigo as chaves que guardam surpresas inevitáveis. Ambos, tentaram abafar o que sentiam um pelo outro, porém, era inevitável, era muito forte o que sentiam e cederam aos impulsos do amor e resolveram romper com a tradição para viverem juntos.

Continua.....

Claudio Louzeiro
Belém, 23 de outubro de 2011 (04:52)

E-mail: lcslouzeiro@yahoo.com.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Autoconhecimento



Cheguei a pensar que o autoconhecimento seria a libertação da ignorância, o abandono do sofrimento e a conquista da felicidade.

Estava equivocado, pois, a visão dualista da vida, nos engana, é uma ilusão, segundo os antigos hindus, Maya, pois o homem necessita de tudo aquilo que o fazer sofrer para aprender a conhecer a si mesmo e nesta longa caminhada em busca de mim mesmo, acabei por descobrir, que abandonar o mundo e seus apetites seria aniquilar a mim mesmo, como se uma parte minha fosse também destruída e tudo aquilo que vivem em parte não está completo.

Passamos a nossa vida inteira combatendo o nosso lado SOMBRA, sem perceber o fazemos crescer ainda mais dentro de nós, pois tanto o SELF como o lado SOMBRA são partem integrantes do EU, fruto das experiências do Inconsciente Coletivo, evolução de nós mesmos e neste edifício não há colunas que devam ser demolidas, pois, todas fazem parte da mesma construção que somos nós mesmos.

Descobri que ao observar o movimento das estrelas podemos aprender mais do que imaginamos, o vento nos revela o desconhecido, pois o céu nos ensina também, a natureza nos convida a refletir sobre os reais valores da nossa existência e tudo aquilo que realmente tem importância para nós e ignoramos pelos simples fato de estarmos habituados a julgar, a medir, a classificar tudo que conhecemos ou pensamos conhecer, enquanto houver julgamento haverá divisão, separações, ódios, conflitos e destruição!

Ao observar a natureza descobri que ambos somos UM e que de fato não há o Claudio Louzeiro e o Brasil, entre o Brasil e o mundo, o mundo e o Universo, todos estamos inseridos dentro do mesmo contexto, nossa visão limitada é que cria a ilusão da separação, do dualismo, pois em suma, não há o BEM nem o MAL, o certo e o ERRADO, numa palavra a VERDADE não existe!!!

O estado de NIRVANA pode ser alcançado no mundo e não fora dele, nenhum caminho pode nos levar até ele, ele é o CAMINHO!!!

Toda e qualquer idéia de salvação ou iluminação é castradora, nos retira o livre arbítrio, nos atrela aos conceitos e dogmas pré-concebidos sobre aquilo que buscamos.

Toda e qualquer autoridade sobre o CAMINHO é falsa, pois está assentada nos próprios pilares e não no nosso próprio, ninguém é salvador de ninguém, você é o seu próprio salvador, seu libertador!

Descobri, que a natureza está em mim, sou a luz das estrelas, sou as trevas da noite, sou a canção do romântico, bem como o canto melancólico do desiludido, sou o solitário bem como o repleto de amigos, sou o amor que brota nos corações, sou o ódio que deturpa os bons sentimentos, sou o desejo do corpo, bem como a mais pura inspiração da alma, sou a vela que se acende bem como a vida que se extingue, sou o arco íris bem como o dia repleto de trovoadas, sou o cálice com vinho que embriaga e o remédio que cura a ressaca, sou a melodia dos pássaros e o grito de dor do agonizante, sou o Sol, sou a Luz, sou o Universo, sou o médico, sou o paciente, sou o Tudo e o Nada, sou o equilíbrio e o caos, sou a metamorfose bem como a imobilidade do mineral, sou a vida e a morte, sou EU e você!!!

Após, refletir, descobri que a realização não está em negar nada e sim e compreender tudo, pois na realidade, tudo está em tudo, SOMOS UM!!!

Claudio Louzeiro
Belém, 10 de outubro de 2011